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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

EXCESSO DE CAUTELA

Quem fica observando o vento não plantará; e quem fica olhando para as nuvem não colherá. Eclesiastes 11:4
Prudêncio era jovem quando resolveu adotar o significado de seu nome como filosofia de vida. O pai, cujo slogan era "Seguro morreu de velho, e ainda morreu!", transmitira-lhe uma boa herança e um DNA concentrado em precaução. Assim, o rapaz passou a avaliar detalhadamente as implicações de suas possíveis decisões - ou indecisões.
Num sábado à tarde, foi para a igreja e viu uma moça encantadora que sorriu para ele. Num lance de ousadia, chegou a pensar na remota possibilidade de falar com ela. Porém, e se levasse um "fora"? E se ela não fosse de boa família? E se fosse muito pobre, ou muito rica? E se não tivesse boa saúde? E se não fosse a melhor candidata?
E se ele se decepcionasse? E se falassem deles? E se... Por prudência, não se aproximou da moça.
Um dia, Prudêncio pensou em comprar um carro. Tinha dinheiro. Começou a pesquisar. Leu tudo sobre as marcas e os modelos disponíveis. "Mas carro no Brasil é muito caro", ponderou. "O imposto é absurdo." Além disso, os melhores modelos ainda não haviam sido lançados. E se comprasse o modelo errado? E se o carro se desvalorizasse acima do esperado? E se não gostasse do modelo escolhido? E se o carro consu­misse muito combustível? E se riscassem o carro? E se ele batesse? E se batessem nele? E se o ladrão roubasse o carro? E o preço do seguro? E o IPVA? E se levasse multa? E se...
Achou melhor comprar mais um terreno. Claro, um terreno num residencial fechado. Mas e se o mercado estivesse vivendo uma bolha imobiliária? E se fosse lançado outro residencial melhor? E se a taxa de condomínio fosse muito alta? E se o IPTU fosse absurdo? E se os vizinhos fossem chatos? E se...
Prudêncio ainda está solteiro, andando a pé e morando no mesmo bairro.
Você é uma versão 2.0 do Prudêncio? Então precisa ouvir o conselho de Salomão. Para o sábio, se você não correr riscos, não terá recompensas. No verso de hoje, ele diz que quem observa demais o clima acaba não plantando e, portanto, não colhe. Afinal, nem os melhores meteorologistas conseguem decifrar os caminhos do vento. Com essa metáfora, ele incentiva o risco calculado. Quando chegar o tempo, semeie, ainda que o tempo seja desfavorável. Não espere a condição perfeita.
Não é porque coisas ruins podem acontecer que você vai ficar de braços cruzados. Por mais cauteloso que seja, você nunca terá controle sobre tudo. Por isso, tome uma atitude radical hoje, sem ultrapassar os limites do bom senso. Não fique com medo de tentar e fracassar. O fracasso é 100% certo apenas se você não tentar. A vida não deve ser uma monotonia controlada pela desconfiança.
(Um olhar para o Céu, CPB)

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